
A Direção de Estudos da ABAPI é o núcleo de disseminação de conhecimento da associação. É neste fórum de aprendizado que são ministrados os cursos de formação e aprimoramento para profissionais que atuam na área. Nesta entrevista, o diretor de Estudos, Leonardo Cordeiro, destaca a importância dessas capacitações, explicando quem deve fazê-las e por que — abrangendo desde advogados e agentes da propriedade industrial até profissionais técnicos, paralegais e equipes administrativas de empresas, indústrias e órgãos públicos.
Agente da Propriedade Industrial com ampla experiência em todas as fases do processamento de patentes, Cordeiro preside o comitê de Patentes e Segredos Industriais da ASIPI, coordena o Grupo de Trabalho de Patentes e Desenho Industrial da ABAPI, lidera a Comissão de Estudo de Bioeconomia e Sustentabilidade da ABPI e é palestrante em diversas instituições públicas e privadas, além de perito e assistente técnico em ações judiciais de patentes e desenhos industriais. Foi nomeado como expert em processos administrativos de patentes pelo IAM Patent 1000 (The World’s Leading Patent Professionals) nos anos de 2017 a 2026, pelo Leaders League na categoria Patent Prosecution nos últimos cinco anos e pelo WWL (Who’s Who Legal) IP Global 2023, entre outros.
Quem deve fazer os cursos da ABAPI e por quê?
Leonardo Cordeiro: Os cursos da ABAPI atendem a diferentes momentos da trajetória profissional: quem está ingressando na propriedade intelectual, quem já atua e deseja aprofundar seus conhecimentos e quem pretende ampliar sua área de atuação. Isso inclui advogados, agentes da propriedade industrial, profissionais de formação técnica, paralegais e equipes administrativas de escritórios, empresas, indústrias e organismos públicos.
A escolha do curso deve considerar o conhecimento prévio e o objetivo de cada participante. O grande valor dessa formação é aproximar os fundamentos da propriedade intelectual das situações que o profissional enfrenta no dia a dia, contribuindo para uma atuação mais segura e bem fundamentada.
Assim, qualquer profissional interessado em propriedade intelectual pode
encontrar, nos cursos da ABAPI, uma oportunidade de aprendizado alinhada aos seus interesses e objetivos.
Os cursos contribuem para o aperfeiçoamento mesmo de profissionais experientes e consolidados no mercado? Dê um exemplo.
LC: Sim, no sentido de capacitar e aperfeiçoar sua atuação. A experiência profissional traz um repertório importante, mas a propriedade intelectual exige atualização contínua. Novas tecnologias, decisões judiciais e entendimentos administrativos podem levar até profissionais muito experientes a rever suas práticas.
Um exemplo é o profissional que atua há anos com pedidos de patente e deseja ampliar sua atuação em disputas judiciais. O aprofundamento em prova pericial, formulação de quesitos e métodos de análise técnica pode prepará-lo melhor para contribuir nesses casos.
Nos cursos avançados, mesmo os temas já conhecidos são abordados com maior profundidade, permitindo discutir interpretações, estratégias e situações que vão além da rotina profissional.
Como a formação por meio dos cursos da ABAPI é vista no mercado profissional e junto à comunidade de PI?
LC: Vejo essa formação como um diferencial pela tradição da ABAPI e pela proximidade dos cursos com a prática profissional. O participante desenvolve conhecimento especializado e tem contato com diferentes experiências e formas de enfrentar os desafios da área.
Um dos grandes diferenciais está na combinação entre conteúdo, metodologia e duração dos cursos, que reúnem fundamentos teóricos e experiência prática, especialmente na atuação perante o INPI. Esse conhecimento aplicado nem sempre é abordado com o mesmo enfoque na graduação, na pós-graduação, no mestrado ou no doutorado. É uma formação que complementa a trajetória acadêmica e dialoga diretamente com as necessidades do mercado.
Para quem contrata, essa formação pode demonstrar compromisso com o aperfeiçoamento profissional. Mas seu valor se revela principalmente na atuação: na qualidade da orientação ao cliente, na identificação de riscos e na fundamentação das decisões. É essa aplicação do conhecimento que dá significado ao certificado.
Como o curso de perícias judiciais é visto pelo Judiciário?
LC: Destacaria sua contribuição para a qualidade da prova técnica apresentada ao Judiciário. Uma perícia precisa explicar questões complexas com método, clareza e fundamentação, permitindo que o magistrado compreenda os aspectos técnicos relevantes para decidir.
O curso aproxima essas perspectivas ao reunir profissionais que atuam em perícias, assistência técnica, engenharia, ciências da vida e advocacia, além de contar com a participação de magistrados. Essa troca ajuda os alunos a compreender o que se espera de um trabalho pericial e como apresentar suas conclusões de maneira consistente.
Mais do que atribuir uma percepção uniforme a todo o Judiciário, considero importante destacar essa contribuição concreta: preparar profissionais para produzir trabalhos técnicos que auxiliem na compreensão e na solução das controvérsias. A formação também contribui para consolidar uma rede de profissionais qualificados, que pode servir de referência para o Judiciário e para as partes.
Tenho convicção de que a ABAPI reúne profissionais com elevada qualificação para atuar em perícias e assistências técnicas em ações de infração ou nulidade de direitos de propriedade industrial, nas diferentes áreas técnicas e em todo o Brasil.
Como são elaborados os conteúdos dos cursos? Há atualizações recorrentes? Dê um exemplo. Qual a metodologia aplicada?
LC: A elaboração dos programas considera o nível do curso e os conhecimentos necessários à atuação profissional. No curso básico, mantemos os conteúdos fundamentais que constituem a base do sistema brasileiro de propriedade industrial. Os programas são revistos para incorporar mudanças normativas, novos entendimentos e questões que afetam a aplicação prática desses fundamentos.
Nos cursos intermediários e avançados, retomamos alguns desses temas com maior profundidade e discutimos questões mais complexas. Também incluímos assuntos atuais, principalmente ligados à realidade brasileira, e acompanhamos movimentos internacionais que possam repercutir no Brasil.
Por exemplo, enquanto o curso básico apresenta os requisitos de patenteabilidade, o avançado pode aprofundar a discussão sobre sua
aplicação a novas tecnologias, considerando decisões recentes, entendimentos do INPI e diferentes estratégias de atuação.
A metodologia conecta teoria e prática, com explicações, exemplos e discussão de situações do dia a dia. Os professores são, em sua maioria, profissionais que trabalham diretamente com os temas que ensinam. Conforme o assunto, também convidamos especialistas da indústria, de órgãos públicos e de outras áreas, ampliando as perspectivas apresentadas aos alunos.
Como são escolhidos os professores? Qual a formação básica deles?
LC: A escolha dos professores valoriza especialmente o conhecimento prático do assunto que será ensinado. Procuramos profissionais que atuem no dia a dia da propriedade intelectual, sobretudo perante o INPI, e conheçam os desafios que os alunos encontrarão na prestação dos serviços.
Nosso corpo docente reúne advogados, agentes da propriedade industrial e profissionais de diferentes formações técnicas, incluindo engenharias e ciências da vida, conforme a matéria. Não existe uma única formação de origem: o essencial é a combinação entre conhecimento específico, experiência profissional e capacidade de transmitir esse conteúdo.
Quando o tema exige outras perspectivas, convidamos especialistas da indústria, de órgãos governamentais e de outros setores. Também buscamos a participação de profissionais do próprio INPI e de outras instituições públicas envolvidas com a propriedade intelectual. Essa troca permite apresentar tanto a perspectiva de quem utiliza o sistema quanto a de quem atua na análise e na concessão dos direitos, ampliando a compreensão dos alunos.
Quais são os planos para a grade de 2027? Novos cursos ou alterações?
LC: Nossa intenção é manter o curso básico, que há décadas ocupa um lugar de destaque na grade da ABAPI, e dar continuidade à formação em marcas e patentes, alternando cursos intermediários e avançados conforme as ofertas anteriores e as necessidades dos participantes.
Também acompanhamos possíveis mudanças legislativas. Na minha avaliação, o Brasil precisa modernizar sua legislação de propriedade industrial para acompanhar as transformações tecnológicas e as demandas atuais. Caso essa agenda avance, queremos estar preparados para
oferecer uma formação dedicada às mudanças e aos seus efeitos práticos.
Há outras novidades em estudo. Uma delas poderá chegar antes mesmo de 2027: estamos trabalhando em uma iniciativa para novembro deste ano e realizando uma pesquisa com os alunos dos cursos de 2026 para avaliar o interesse e a viabilidade de concretizá-la.

